terça-feira, 27 de abril de 2010
domingo, 18 de abril de 2010
quinta-feira, 15 de abril de 2010
de novo, o sentimento de viagem: amanhã ou depois deixo trento de novo, dessa vez com uma espécie de alegria interior e uma mala maior (meus livros e coisas: objetos estranhos que carrego sem motivo aparente, tipo uma forquilha, quatro copos vazios). enquanto espero o resultado que o dia de hoje pode me trazer. bergamo, lovere, castro! e o gosto é doce.
Non addio ma avanti viaggiatori (T.Eliot)
Non addio ma avanti viaggiatori (T.Eliot)
terça-feira, 13 de abril de 2010
tenho escrito muito. e percebi que não tenho escrito aqui.
talvez porque a concretude que eu queria dar pra esse lugar não seja muito realizável e a ideia de escrever-descrever concretamente uma viagem não seja muito viável. digo, concretude das coisas que eu achei que poderia escrever aqui. no fim, eu me sinto meio tendo abandonado isso.
mas enfim, quase três meses agora. ainda vivo esperando os momentos. depois de um mês em total movimento, já estou há algumas semanas parado, meio que fixado, tentando estar em trento por enquanto, retomando, repousando antes de mover de novo. aqui, a primavera é muito marcada, e de repente surgiram cores que a cidade não tinha, lugares verdes, ou de outras cores (aquelas das flores ou das pessoas que começam a sair e a estar na rua). a cidade-fantasmagoria vai mudando de aspecto. como as pessoas que por aqui transitam. parece que há sim algum vínculo entre cidade e morada humana, apesar de tudo.
talvez porque a concretude que eu queria dar pra esse lugar não seja muito realizável e a ideia de escrever-descrever concretamente uma viagem não seja muito viável. digo, concretude das coisas que eu achei que poderia escrever aqui. no fim, eu me sinto meio tendo abandonado isso.
mas enfim, quase três meses agora. ainda vivo esperando os momentos. depois de um mês em total movimento, já estou há algumas semanas parado, meio que fixado, tentando estar em trento por enquanto, retomando, repousando antes de mover de novo. aqui, a primavera é muito marcada, e de repente surgiram cores que a cidade não tinha, lugares verdes, ou de outras cores (aquelas das flores ou das pessoas que começam a sair e a estar na rua). a cidade-fantasmagoria vai mudando de aspecto. como as pessoas que por aqui transitam. parece que há sim algum vínculo entre cidade e morada humana, apesar de tudo.
domingo, 4 de abril de 2010
sexta-feira, 2 de abril de 2010
(Alguns rabiscos que se escreveram no inverno quando saí de Trento rumo a Bergamo. A entrada da primavera muda tanto a paisagem e a atmosfera afetiva da cidade, que é estranho ler isso hoje. Os contornos carregados também se devem ao fato de que foi escrito na chegada em Bergamo, ou seja, se devem a uma comparação inevitável entre as duas paisagens-cidades. Há um exagero no 'fechamento' de Trento, mas acho que embora seja um exagero do ponto de vista da descrição, não o é do ponto de vista do impacto positivo da saída, etc. A ideia na verdade era escrever sobre Bergamo, esse rascunho sobre Trento seria meio que uma forma de começar a falar da outra cidade, comparando)
Trento é uma cidade fenomelogicamente truncada, apertada entre as montanhas que a cercam, não conhece o que não são extremos. As ruas como que espremidas pelas montanhas que se fazem escuras sempre cedo, na sombra delas, não abrigam ou inscrevem as vidas, mas as faz sobrevoar, pairar - fantasmagorias ressequidas pelo tempo da passagem. É uma cidade quase sem árvores, no centro, e é uma cidade seca: não devaneia com facilidade (ainda que a paisagem o proponha) - o olhar é aprisionado pelas pesadas montanhas e desconhece o horizonte. Trento luta com as montanhas e parece se esforçar em estar nessa outra figura do deserto que é a montanha (todo o deserto exerce algum tipo misterioso de fascínio). Trento é árida: a aridez do espaço que não se deixa apropriar. Trento é quase violenta e beligerante: ela é de onde se ataca, a partir dela se desafia os alpes - assim fizeram romanos, austro-húngaros, alemães, italianos. O extremismo inconciliável de Trento é também sua impossibilidade de ser de todo germânica ou itálica - é o seu estar aprisionada entre, no meio do caminho. É uma cidade quase sem cheiros, árida mesmo no ar de que dispõe e respira.
Trento é uma cidade fenomelogicamente truncada, apertada entre as montanhas que a cercam, não conhece o que não são extremos. As ruas como que espremidas pelas montanhas que se fazem escuras sempre cedo, na sombra delas, não abrigam ou inscrevem as vidas, mas as faz sobrevoar, pairar - fantasmagorias ressequidas pelo tempo da passagem. É uma cidade quase sem árvores, no centro, e é uma cidade seca: não devaneia com facilidade (ainda que a paisagem o proponha) - o olhar é aprisionado pelas pesadas montanhas e desconhece o horizonte. Trento luta com as montanhas e parece se esforçar em estar nessa outra figura do deserto que é a montanha (todo o deserto exerce algum tipo misterioso de fascínio). Trento é árida: a aridez do espaço que não se deixa apropriar. Trento é quase violenta e beligerante: ela é de onde se ataca, a partir dela se desafia os alpes - assim fizeram romanos, austro-húngaros, alemães, italianos. O extremismo inconciliável de Trento é também sua impossibilidade de ser de todo germânica ou itálica - é o seu estar aprisionada entre, no meio do caminho. É uma cidade quase sem cheiros, árida mesmo no ar de que dispõe e respira.
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