quarta-feira, 9 de novembro de 2011

crítica tardia ao bom cidadão

(ou porque nem 1871, 1922 nem 36 nem 68 chegaram em todo o lugar)

A primeira regra era a de obedecer às leis e aos costumes do meu país, observando constantemente a religião em que Deus me deu a graça de ser insturído desde a infância, e norteando-me em todas as outras coisas segundo as opiniões mais moderadas e mais distantes de todo o execesso, que fossem comumente acolhidas e praticadas pelas mais sensatas dentre as pessoas com quem me coubesse viver. - Descartes, Primeira regra da moral provisória

"Não é sempre a mesma coisa ser um bom homem e ser um bom cidadão" (Aristóteles)


eu desprezo o bom cidadão
seu direitismo moderado
seu esquerdismo moderado
seu centrismo moderado
seu Cinismo moderado

Eu destesto o bom cidadão
e a sua moral pública
sua ignorância moderada
seu gosto pela informação
e sua vida pudica

Eu quero cuspir no bom cidadão
no seu amor temor tremor pelo Estado
na sua boa vontade institucional
nas suas convicções sedimentadas
na sua opinião confiante
na agudeza de cada observação banal
na sua hipocondria contentada
no seu mau gosto bom gosto moderado

eu Refuto o bom cidadão
o seu machismo equilibrado
no seu racismo regulamentado (que procura nos olhos)
no seu cotidiano fascista
no seu fascismo sensato

eu REFUTO o bom cidadão
e o seu asseio, seu penteado, seu topete
a higiene contidada ou neurótica do bom cidadão
e suas viagens limpas de aventuras sexuais e estupro
sua autopreservaçao destrutiva, sua economia de si, a corrida que faz no fim do dia, seu sucesso profissional, sua ética de risparmio!

afastemo-nos do bom cidadão

27 de junho de 2010

Nenhum comentário:

Postar um comentário